Estudo O que é o Espiritismo
O CRÍTICO
Visitante
— Confesso-vos, caro senhor, que a minha razão recusa admitir a
realidade dos fenômenos estranhos atribuídos aos Espíritos, persuadido que estou de
estes não terem senão uma existência imaginária. Entretanto, eu me curvaria diante
da evidência, se disso tivesse provas incontestáveis; por isso desejo merecer vos a
permissão de assistir somente a uma ou duas experiências, para não ser indiscreto, a
fim de convencer-me, caso seja possível.
Allan Kardec — Desde que a vossa razão repele o que nós consideramos
irrecusável, vós a credes superior às de todos quantos não compartilham de vossas
opiniões.
Longe de mim o pensamento de duvidar do vosso talento e a pretensão de
supor minha inteligência superior à vossa; admiti, pois, que eu esteja iludido, é a
vossa razão quem vo-lo diz: e não falemos mais nisso.
Esse trecho da obra O que é o Espiritismo, de Allan Kardec, faz parte do diálogo com O Crítico, um dos personagens que representa os céticos cultos da época — pessoas que não aceitavam o Espiritismo por achá-lo contrário à razão ou por considerarem os fenômenos espirituais simples ilusões ou fraudes.
✦ Explicação do diálogo:
O Crítico diz:
Ele admite que não acredita nos fenômenos atribuídos aos Espíritos, pois os considera frutos da imaginação. Porém, de forma aparentemente aberta, declara que mudaria de opinião se tivesse provas incontestáveis e, por isso, pede para assistir a uma ou duas experiências, como se isso bastasse para ele se convencer ou não.
Kardec responde:
Com muita firmeza e lógica, Kardec desmonta a pretensão do Crítico ao mostrar que sua postura, embora educada, é na verdade arrogante — pois ele supõe que sua razão seja superior à de todos os que acreditam no Espiritismo.
Kardec mostra também que:
-
Não tem a intenção de competir intelectualmente com ninguém.
-
Aceita, por hipótese, que ele mesmo (Kardec) esteja iludido, mas nesse caso, a razão que afirma isso é apenas a do Crítico, e isso não basta como argumento.
-
Ao dizer "não falemos mais nisso", Kardec indica que não vale a pena discutir com quem já se julga superior ou fechado ao diálogo real, pois o Espiritismo não se impõe, se propõe.
✦ Sentido profundo do trecho:
Esse diálogo expõe um princípio fundamental do Espiritismo:
A convicção espírita não nasce de uma única experiência, mas de um estudo sério, paciente e racional dos fatos e das ideias.
O Crítico, ao querer assistir a "uma ou duas sessões", demonstra superficialidade. Kardec deixa claro que:
-
O Espiritismo não se prova como um truque de salão.
-
A fé raciocinada exige estudo, tempo e boa vontade.
-
Quem já se aproxima com preconceito ou ironia, dificilmente está pronto para compreender o que a Doutrina tem a oferecer.
✦ Em resumo:
Esse trecho denuncia a vaidade intelectual disfarçada de ceticismo e nos ensina que a verdadeira investigação exige humildade, paciência e abertura de espírito.
O Espiritismo não é para convencer de imediato, mas para ser compreendido com profundidade por quem deseja, de fato, buscar a verdade com o coração sincero e a razão desperta.
Comentários
Postar um comentário